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Caracteristicas principais da Umbanda

     
   Podemos dizer que a Umbanda é um sistema religioso fundamentalmente naturista, isto é, trabalha com as forças da natureza, assim como com espíritos contemporâneos, ou não, pesando expressivamente em seu exercício as vibrações das Almas. O leigo muitas vezes confunde a Umbanda com outras religiões que possuem nomenclaturas semelhantes a Umbanda, no entanto a semelhança é meramente aparente e termina aí. Neste ponto é que gostaríamos de colocar alguns itens que consideramos fundamentais. O fato de termos raízes africanistas, e cultuarmos Orixás, gera muita confusão e sobressai a necessidade imperiosa de definir limites bem claros. Não temos a intenção de comentar outros credos, temos sim, intenção de vincar nossas assertivas. Trabalhamos exclusivamente visando o bem, 
a caridade e a evolução espiritual de todos. A Umbanda não faz despacho em encruzilhadas, não faz matança de animais, não suja a natureza, não cobra consultas e trabalhos, não faz trabalho de "amarração"!. Não temos feituras de cabeça, raspagens, camarinhas, roncó, corpo fechado, ebós, orunkô, feitura de santo, bascos, firmo de nação, etc. As sessões obedecem a horários pré-estabelecidos, para início e término. Nas sessões ou em rituais fechados de Umbanda não há abate de animais ou de qualquer outro ser vivo.  As oferendas aos guias, ou entidades menores, são realizadas em locais determinados normalmente junto a natureza, ou reinos apropriados, ou até mesmo dentro do próprio terreiro quando é possível. Lembrando sempre de deixar o local limpo como foi encontrado. Somos absolutamente contra, por exemplo, acender velas perto de árvores (risco de incêndio) ou numa pedra (sujeira da cera). Nós amamos a natureza e as suas energias, como podemos sujar os locais sagrados para nós?  Na Umbanda a vestimenta básica é toda branca em todas as giras. Não há retribuições financeiras por trabalhos executados, consultas, ou o que quer que seja.    A ascensão ao sacerdócio na Umbanda, se faz através do tempo, da propriedade individual, da constância, dedicação, estudo e seriedade com que o médium se propõe a caridade. O trabalho e o tempo, a dedicação e o estudo profundo é que fazem a firmeza do médium. E tudo isto não acontece de uma hora para outra. A prática religiosa deve ser realizada em locais específicos, nos centros. Não aprovamos e não permitimos atendimentos nem na residência do médium ou em qualquer outro local, sem a devida vênia e conhecimento da Direção do nosso Centro. Alertamos sempre que possível, sobre o julgamento, não devemos julgar, e pior do que isto, trabalhar em detrimento de quem quer que seja julgando a causa. Se temos um problema nas mãos, procuramos através da meditação, através da fé, o esclarecimento que seja específico. Imersos em emoções, não há quem se julgue errado, o adversário sempre está errado. Não devemos receitar, se for necessário, procuramos dentro dos elementos mágicos que nos são atinentes auxílio, não somos médicos. O médium não deve precipitar independência mediúnica. É necessário estar bem certo do que se faz. O trabalho vinculado a uma Casa de Caridade é fundamental. Lembre-se que no Centro acodem falanges de trabalhadores, sozinhos não temos esta mesma proteção. É comum também o médium acreditar que determinados ritos (externos aos ritos da Umbanda) vão lhe conferir maior força, ou maior propriedade de trabalho. Se isto for imperioso na sua vida, esse médium deve procurar outra religião que lhe seja mais cara. Na Umbanda o preparo se dá através dos anos de trabalho, dedicação, estudos e preceitos, e portanto procuramos compreender melhor os mecanismos sutis. O trânsito de uma a outra religião é até certo modo compreensível, pois o homem sempre busca algo que lhe complete, no entanto não vamos confundir, ou tentar adaptar circunstâncias, ou seja, se você acredita que o ritual de preparo de Umbanda não lhe é suficiente, procure outra religião. Nós não adaptaremos rituais ou fundamentos para atender necessidades individuais, maculando a Umbanda. Buscaremos sim, dentro dos rituais da Umbanda atender as suas necessidades, mas você tem o seu livre-arbítrio. 
              Escrito por:José Francisco Vianna Pereira e Mãe Iassan Aiporê Pery

Pai Nosso


Pai Nosso que estais nos céus, nos mares, nas matas e em todos os mundos habitados;
Santificado seja o teu nome, pelos teus filhos, pela natureza, pelas águas, pela luz e pelo ar que respiramos.
Que Teu reino, reino do bem, do amor e da fraternidade, nos una a todos e a tudo que criaste, em torno da sagrada cruz, aos pés do divino salvador e redentor.
Que Tua a vontade nos conduza para o culto do Amor e da Caridade.
Dá-nos hoje o pão do corpo, o fruto das matas e a água das fontes para o nosso sustento material e espiritual; e a vontade para sermos virtuosos aos nossos semelhantes.
Perdoa-nos, se merecermos, as nossas falhas e dá-nos o sublime sentimento do perdão para os que nos ofendem.
Não nos deixeis sucumbir ante as lutas, dissabores, ingratidões, tentações dos maus espíritos e ilusões pecaminosas da matéria.
Envia Pai, um raio da Tua divina complacência, luz e misericórdia, para os teus filhos pecadores que aqui habitam pelo bem da humanidade.

Assim seja, em nome de Deus Olorum, de Oxalá e de todos os mensageiros de Luz da Umbanda.

Como atuam e quem sao os povos das matas, os caboclos e caboclas


Existem variações no entendimento que os umbandistas têm sobre o que sejam os caboclos. As variações são próprias do movimento umbandista, notavelmente plural, mas há consenso na Umbanda, no fato de que os Caboclos são espíritos de humanos que já viveram encarnados no plano físico e são, portanto, nossos ancestrais. É interessante notar que em alguns cultos afro-brasileiros, os caboclos são considerados “encantados” e se relacionam com os espíri­tos da natureza, recebendo nomes de animais, plantas ou outros elementos naturais. Essa percepção se aproxima das lendas indígenas que narram um tempo em que os animais falavam e viviam em comunhão com os homens, podendo um se transformar no outro.
Outra maneira de se interpretar as entidades de Caboclo, é como espíritos que se apresentam na forma de adultos, com uma postura forte, de voz vibrante, que trazem as forças da natureza, manipulando essas energias para trabalhar nas questões de saúde, vitalidade e no corte de correntes espirituais negativas. Seu linguajar pode se assemelhar ao dos indígenas, paramen­tados ou não com cocares, arcos e flechas, machadinha e espadas. Aqui estamos entendendo os Caboclos de maneira mais ampla, como símbolo de fortaleza, do vigor da fase adulta, existindo caboclos de Oxossi, Xangô, Ogum e mesmo aquelas entidades ligadas aos orixás femininos, como Yemanjá, Oxum, Yansã. É claro que essas últimas entidades não vêm como índias, mas com uma forma tipicamente relacionada aos seus atributos. Todavia, são entidades que se apresentam como adultos.
Para quem vivência o terreiro, que há anos luta as batalhas espirituais e já viu os caboclos vencendo as demandas dos filhos-de-fé, afastando entidades negativas, tratando doenças que a medicina muitas vezes não resolve e dando lições de
simplicidade, humildade, coragem e persistência, ouvir ou mesmo lembrar esses pontos cantados, traz uma sensação de alegria que enche o coração, renova o ânimo e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. 

As sete lágrimas de um Preto Velho


Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando seu cachimbo, um triste preto velho chorava. De seus “olhos” molhados, esquisitas lágrimas pelas faces e seis porque contei – as… Foram sete. Na incontida vontade de saber aproximei – me e o interroguei: fala meu preto velho, diz ao teu filho por que externas assim um tão visível dor? E ele suavemente respondeu: estás vendo esta multidão que entra e sai? As lagrimas contadas estão distribuída a cada uma delas.

A PRIMEIRA, eu dei a estes indiferentes que aqui vem à busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…

A SEGUNDA , a esses eternos duvidosos que acreditam , desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.

A TERCEIRA, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda, em busca de vingança, desejando sempre prejudica a um seu semelhante.
A QUARTA, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar – se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão:

A QUINTA, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: creio no umbanda, nos teus caboclos e no teu zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.

A SEXTA, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A SETIMA, filho, nota como foi grande e como deslizou pesada? Foi a ultima, aquele que vive nos “olhos” de todos os orixás. Fiz doação dessas aos médiuns vaidosos que só aparecem no centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo materno e espiritual


Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma. As sete
Lágrimas de um preto velho.

Autor Desconhecido

Pretos velhos na Umbanda


Com certeza a mais carismática entidade que povoa os terreiros de Umbanda. A mística do Preto Velho é fruto de condições e circunstâncias únicas em terras brasileiras.
Vemos, portanto, o aparecimento de uma entidade cuja linha de trabalho é marcada pela tolerância, rústica simplicidade e um profundo sentimento de caridade. Só quem sofreu na carne as desventuras da vida, pode entender ou se aproximar da compreensão do sofrimento alheio, porque é possível responder a toda violência sofrida, com amor, sem nenhum sentimento revanchista ou de vingança.
A forma como se apresenta nos terreiros de Umbanda, através dos médiuns, é como uma pessoa muito idosa, curvada pelos anos. Às vezes apoiado em uma bengala, com uma voz meiga, algo paternal que atrai a confiança e simpatia de quem ouve.
Carinhosamente, também chamados de pai preto, estes guias ensinam uma importante lição de humildade e resignação diante das adversidades da vida, sem perder a alegria e o bom humor. É comum ouvir, dos mesmos, observações jocosas a respeito dos problemas. Simplificando o que parecia
complicado, dando esperanças para fortalecer psicologicamente seu consulente, porque sabe que se fraquejarmos na lida da vida, os problemas se tornam maiores e não suportamos o fardo.

Historia da Umbanda


No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.

Esses "ataques" do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza.

Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.

Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.
Casa onde foi Foi dirigida a primeira seção de Umbanda

Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.

O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem.

Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: _"Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?"

Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: _"Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?

_"Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados."

_"O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro."

Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:

_"Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”

O vidente retrucou: _"Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto" ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse:

_"Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".

Para finalizar o caboclo completou:

_"Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?"

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social.

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.

Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos.

O caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas.

Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:

"_ Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá."

Após insistência dos presentes fala:

"_Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego."

Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:

"_Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca."

Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio".

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele.
Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "_Não os aceite. Devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz. Ei-la:

"A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda. Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa. Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas".

POSTADO POR UMBANDA CAMINHO DA FÉ 

Como se portar em um Terreiro de Umbanda!!


- Use roupas condizentes com o ambiente religioso;

o Templo de Umbanda é um ambiente SAGRADO e devemos nos vestir de acordo. Homens devem evitar bermudas, regatas e chinelos. Mulheres devem evitar roupas curtas ou com decote.

- Chegue no horário;
a preparação começa antes do inicio da gira. Ao chegarmos da rua, estamos com o corpo quente e com a cabeça no mundo profano. É necessário tempo para que nossa vibração entre em consonância com as energias do templo.

- Não fume;
a lei que permite a utilização de tabaco em cultos afro-brasileiro, são destinadas exclusivamente os Guias e Mentores espirituais, que  fazem uso ritualístico desses elementos.

- Cultive o silêncio;
pois o silêncio também é oração, alem da falta dele prejucar a concentração dos médiuns da corrente.

- Desligue seu celular;
para evitar tirar a atenção das pessoas na assistência, dos médiuns na corrente e dos cambonos, desligue seu celular. A cerimônia de Umbanda requer MUITA concentração, pois a sintonia com os Guias precisa ser perfeita.

- Não pegue nada que não lhe tenha sido oferecido;

é comum em dias de festas de Guias e Orixás, que nos seja servido comidas e bebidas que fazem parte do ritual, que também são elementos sagrados. Só pegue algo que lhe foi oferecido e tenha bom senso ao servir-se.

- Organização é essencial;
um ambiente sujo e desorganizado vibra desarmonia.  E um ambiente organizado vibra verdade e beleza. Isso contribui para que a energia do local circule mais facilmente, potencializando o trabalho dos Guias. Jogue o lixo no lixo e mantenha tudo em ordem.

- Fotografias e filmagens são proibidas nos recintos;

a menos que você tenha autorização expressa do dirigente espiritual do templo, não tire fotos ou faça filmagens dentro da casa de culto. Evite usar o flash da câmera.

- Só saia quando acabar;    

todo ritual religioso tem inicio, meio e fim. Na umbanda não é diferente. Cada etapa do ritual é tão importante quando o passe. Logo após receber sua energização, limpeza ou ouvir um conselho, sente-se e medite um pouco, aproveite as energias favoráveis para intensificar os efeitos benfazejos.

- Volte sempre;

e não apenas quando você está com um problema. Nossos Guias e Mentores querem lhe ajudar, mas você também precisa fazer a sua parte. Eles gostam de saber que tudo deu certo e que você está bem, além disso, um pouco de gratidão para quem lhe ajudou nunca é demais.

Macumba, mitos e verdades!!


      Macumba, uma palavra tão comentada e criticada.     Muitos assimilam ela a Umbanda, pelo seu histórico de praticas de feitiçaria, oferendas em encruzilhadas e despachos, mas não, na umbanda pra ser bem exato, nem oferendas são feitas, de acordo com as leis do "Caboclo das Sete Encruzilhadas". O real proposito da Umbanda é a caridade com o próximo, visando sempre em ajudar seus filhos.
      Bom, enfim, voltando a Macumba, muitos vêem em seu significado como um antigo instrumento de percussão, chamado "Reco Reco",mas não, a palavra Macumba se originalizou pelos cultos africanos que eram feitos debaixo de arvores de grande copa, como o BAOBÁ, e os "sinhozinhos" vendo aqueles rituais aos pés da árvore, dentre as poucas palavras que entendiam, era a "macumba" que eles falavam. Dessas arvores era usada a madeira para confecção de atabaques, usavam também sua madeira para fazer o instrumento reco reco, mas hoje em dia quase não é mais usada, feito ele sim de ferro ou bambu. Com o tempo associavam a macumba ao mal, porque para os brancos, matar animais e ofereçer aos Deuses,era e ainda é ate hoje inaceitável.
     No início do século XX com o surgimento da Umbanda, esta que muitas vezes era realizada nas praias começou a ser conhecida pelo termo macumba, pelos seus atabaques usado durante as giras, e por ser um instrumento musical, as pessoas referiam-se da seguinte forma: "Estão batendo a macumba na praia", ficando então conhecidas as giras como macumbas ou culto Omoloko.
     Popularmente, a palavra macumba é utilizada para de
signar genericamente os cultos sincréticos afro-brasileiros derivados de práticas religiosas e divindades dos povos africanos trazidos ao Brasil como escravos e tem origem no povo Banto, tão presente na nossa cultura e por isso, merecedora de respeito.
Termo definido pela religião da umbanda sagrada:
MACUMBA - ma = uma
- cum = caminho
- ba = conquista
então, significa, " Uma conquista no caminho", também designado " trabalho na vida"



A importancia da Defumação nos dias de Seção

    

      A principal função da defumação realizada tanto na Umbanda quanto nas demais seitas religiosas através dos tempos, desde a antiguidade, é coma queima de ervas e resinas, modificar a energias existente no ambiente para equilibra-lo de acordo com a necessidade.
     Pode se chamar a defumação de magia, de ritual, de libertação da energia contida nos elementos vegetais.Todos esses conceitos estão corretos.
    O defumador deve ser feito com carvão em brasas, incenso, alecrin e alfazema, ou em outras ervas especificas para cada finalidade.
    Quando há contato da brasa com o elemento vegetal utilizado, libera-se determinada energia, capaz de desagregar miasmas e larvas astrais presentes em grande parte dos ambientes terrenos, produzidos por nossos pensamentos e desejos, que normalmente encontram-se em desequilibrio, provocado pela raiva, ciúme, inveja, rancor, ódio, orgulho ou mágoa.
    Portanto, na casa onde habitamos devemos sempre realizar a defumação, principalmente se é uma pessoa que desenvolve um trabalho espiritual, mediunico, ou no caso do umbandista, que mantém suas firmezas e instrumentos litúrgicos de culto à sua crença.
    Na Umbanda, a defumação é realizada no início dos trabalhos, realizando a limpeza do ambiente, do corpo de médiuns e dos assistentes. Dependendo dos trabalhos realizados, deve-se limpar o ambiente com a defumação mais de uma vez ao longo do dia, para atrair e facilitar o trabalhos que esteja sendo realizado pelas entidades.
    O processo deve ser completo, retirando o que atrapalha, e em seguida como que "convidando" os espiritos superiores, com o defumador doce, a trazerem a benção dos Orixas, Caboclos e Pretos Velhos, ou demais entidades para aquele ambiente.

Crianças , cosmes,e ou eres na Umbanda

   
     Criança, Cosminho ou Erê e há ainda a falange dos Exus-Mirins: Postarei um entendimento sobre essas denominações. 
     Criança: é todo o espírito que usa sua forma fluídica, ou perispiritual como a forma de uma criança, apesar desta roupagem alguns guias usam apenas como forma de mensagem pois são espíritos que já tiveram várias encarnações e que apenas se apresentam desta forma para transmitir a pureza do ser humano, há muitas crianças que são espíritos velhos, mas ainda usam desta forma, normalmente são os espíritos mais evoluídos, por este motivo tem autorização de se passar como espírito puro, livre dos apegos humanos. Não devemos trata-los como crianças terrênas, pois ali há uma grande sabedoria, e grande comunicação com o plano mais elevado, não devemos confundir pureza e inocência com irresponsabilidade e ingênuidade. Ás vezes o que vemos é uma descarga das ansiedades e traquinagens que o próprio médium passa pra entidade, criança espiritual é apenas um espírito que usa esta forma e não um brinquedinho das vaidades mediúnicas.
     Cosminho: Os Cosminhos são espíritos da linha mais pura de São Cosme e Damião, são crianças que trabalham somente em curas espirituais, ajudando em casos ligados as crianças terrênas, gestantes e mulheres que querem engravidar, normalmente em terra são crianças que quase não brincam, ficam fixadas em trabalhar aplicando passes as pessoas, não são traquinas, são entidades que quase não falam se aprimorando apenas em passes energéticos. Os nomes destes espíritos costumam lembrar coisas da natureza ou nome de crianças simples: Luz da Manhã, Indiozinho, Indiazinha, Tupãzinho, Sol da Manhã, Joãozinho, Mariazinha, Terezinha.
     Erê: Erês são as crianças que mais vemos em terra, são espirítos em evolução que usam esta forma fluídica como forma de aprendizado, não são espirítos tão iluminados como os Cosminhos, mas são detentores de grande poder, e grande valia para a Umbanda, são espíritos que transitam pelos planos elevados também, é errado falar que Erê é igual Exu-mirim, Erê são crianças que transitam apenas no plano alto, mas em esferas inferiores, e não tão sublimes como os Cosminhos, em terra esses espíritos são mais ligados a apegos mundanos, adoram guaraná, doces, são brincalhões, gostam de alguma traquinagem, mas sempre respeitam as leis impostas pelos pretos-velhos. Os nomes destes guias costumam ser compostos: Ruizinho do Oriente, Luizinho da Ponte, Joãozinho da Mata, Pedrinho da Cachoeira, Mariazinha da Praia, Aninha d´agua. 
     Exus-Mirins: Os espiritos desta linha são trabalhados apenas em alguns terreiros pois é uma falange delicada de trabalho, os espíritos que se manisfestam nesta linha são guias que tem forma de criança também, mas trabalham na energia do baixo astral, isso não quer dizer que são maus, pois são a mão de Deus nas trevas, como os Exus Guardiões, os Exus-mirins trabalham para a lei de Deus, são a lâmina da espada de Zambi, não devemos confundi-los com com demoninhos, pois não são, são espiritos que usam uma forma fluídica mais densa para penetrar em campos de enrgia negativa. Em terra são os mais aprontões, pois não são tão puros como os Cosminho e Erês, o trabalho árduo no baixo astral ajudaram estes espíritos a serem grandes sábios e manipuladores dos elementos. Todos Exus-Mirins são subordinados por um Exu, mas a linha deles é apadrinhada pelo Exu Tiriri. Alguns em terra fumam cigarros, bebem bebidas alcoólicas, em alguns terreiros dá-se refrigerante de cola para esta linha. Os nomes destes espíritos costuma lembrar o Exu a quem eles servem: Lodinho, Brasinha, Calunguinha, Caveirinha, Toquinho, Pomba-Gira Menininha, Rosinha, Florzinha da Noite, Veludinho da Meia-Noite.
     É importante ressaltar que alguns espíritos têm autorização de transitar e transmutar nas três linhas juntas.
        Que Oxalá nos abençoe sempre...

Saravá as Crianças de Umbanda .'. \|/

O Poder das ervas na Umbanda


     Na Umbanda, a influência vegetalista é provavelmente herdada de práticas indígenas, afro-ameríndias mais propriamente. As Ervas detém grande quantidade de AXÉ ( Energia mágico-universal, sagrada e positiva), que bem combinadas entre si, detém forte poder de limpeza da Aura e produzem Energia Positiva. BANHO DE ERVAS Os banhos de ervas já eram usados pelos povos antigos com as mais variadas finalidades. Têm dois objetivos principais: Para eliminar vibrações negativas: banhos de descarga Para adquirir vibrações positivas: banhos de fixação O banho de descarga tem por finalidade a "Limpeza Astral" das larvas oriundas da baixa magia e atrações negativas e mesmo influenciadas por espíritos obsessores, cuja precipitação de fluídos se chamam " Aura a Aura" repelindo-os.      O banho de fixação serve para vitalizar, fixar e precipitar os próprios fluídos à mediunidade ativa no Corpo Astral, afins às entidades atuantes e incorporantes.      O banho de descarga deve ser tomado do pescoço para baixo, nunca se molhando a cabeça: o de fixação de vibrações, no corpo inteiro, inclusive a cabeça. Após o banho, o corpo não deve ser enxuto para maior captação ou eliminação. Deve-se usar roupa totalmente limpa após esses banhos. As ervas usadas devem ser juntadas e jogadas fora do local do banho, de preferência em lugares de água corrente, rios ou mar. As ervas, no seu preparo, não devem ser cozidas. O fogo deve ser desligado quando a água atingir o estado de ebulição. Juntam-se as ervas, abafando-se o recipiente, para depois serem usadas com o máximo de suas propriedades. As ervas também podem ser maceradas.

Banhos de Energização


                      Banhos Ritualísticos:
    Os banhos ritualísticos de uma maneira geral, são rituais, onde utilizamos determinados elementos da natureza, de maneira ordenada e com conhecimento de causa, com o intuito de troca energética entre o indivíduo e a natureza, afim de fornecer-lhe equilíbrio energético e mental.
    Estes banhos prestam-se para limpar as energias negativas, livrar as pessoas de influências negativas, reequilibrar a pessoa, aumentar a capacidade receptiva do aparelho mediúnico, já que os chacras serão desobstruídos, enfim, tem grande importância na manutenção dos corpos.
    Embora o banho utiliza-se de elementos materiais, que serão jogados sobre o corpo físico, a contraparte etérica será depositada sobre os chacras, corpo astral e aura que receberão diretamente o Prana ou éter vital, bem como a parte astral dos elementos densos.
    Não somente os médiuns ativos na Umbanda devem tomar determinados banhos, mas todos nós, em geral, podemos usá-los. Temos algumas categorias de banhos :

a) Banhos de Descarrego

    Esta categoria de banho, conhecido também como banho de descarga ou desimpregnação energética é o mais comum e mais conhecido. Estes banhos servem para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas.
    Conforme vivemos, vamos passando por vários ambientes, trocamos impressões com todo o tipo de indivíduo e como estamos num planeta atrasado em evolução espiritual, a predominância do mal e de energias negativas são abundantes. Todo este egrégora formado por pensamentos, ações, vão criando larvas astrais, miasmas e todo a sorte de vírus espirituais que vão se aderindo ao aura das pessoas. Por mais que nos vigiemos, ora ou outra caímos com o nosso nível vibratório e imediatamente estamos entrando neste egrégora. Se não nos cuidarmos, vamos adquirindo doenças, distúrbios e podemos até sermos obsediados.
    Há dois tipos de banhos de descarrego :
a1) Banho de Sal Grosso
    Este é o banho mais comumente utilizado, devido à sua simplicidade e eficiência. O elemento principal que é o sal grosso, é excelente condutor elétrico e “absorve” muito bem os átomos eletricamente carregados de carga negativa, que chamamos de íons. Como, em tudo há a sua contraparte etérica, a função do sal é também tirar energias negativas aderidas no aura de uma pessoa. Então este banho é eficiente neste aspecto, já que a água em união como o sal, “lava” todo o aura, desmagnetizando-o negativamente.
    O preparo deste banho é bem simples, basta, após um banho normal, banhar-se de uma mistura de um punhado de sal grosso, em água morna ou fria. Este banho é feito do pescoço para baixo, não lavando os dois chacras superiores (coronal e frontal).
    O porquê de não poder lavar os chacras superiores, está ligado ao fato de serem estes chacras ligados à coroa da pessoa, tendo que ser muito bem cuidada, já que é o elo de ligação, através da mediunidade, entre a pessoa e o plano astral superior.
Após o banho, manter-se molhado por alguns minutos (uns 3 minutos) e enxugar-se sem esfregar a toalha sobre o corpo, apenas secando o excesso de umidade. O melhor é não se enxugar, mas vai de cada um. Algumas pessoas, neste banho, pisam sobre carvão vegetal ou mineral, já que eles absorverão a carga negativa.
Este banho é apenas o banho introdutório para outros banhos ritualísticos, isto é, depois do banho de descarrego, faz-se necessário tomar um outro banho ritualístico, já que além das energias negativas, também descarregou-se as energias positivas, ficando a pessoa desenergizada, que só é conseguido com outro tipo de banho.
    Este banho, não deve ser realizado de maneira intensiva (do tipo todos os dias ou uma vez por semana), pois ele realmente tira a energia do aura, deixando-o muito vulnerável.
    Existem pessoas que usam a água do mar, no lugar da água e sal grosso.
a2) Banho de Descarrego com Ervas
    Este banho é mais complexo e menos conhecido do que o de sal grosso. A
função deste banho é a mesma que a do sal grosso, só que tem efeito mais
duradouro e conseqüências maiores. Quando uma pessoa está ligada à uma obsessão e larvas astrais estão ligadas a ela, faz-se necessário um tratamento mais eficaz. Determinadas ervas, são naturalmente descarregadoras e sacodem energeticamente o aura de uma pessoa, eliminando grande parte das larvas astrais e miasmas. Algumas ervas que são muito boas para este banho : arruda, guiné, espada de São Jorge, aroeira, folhas de fumo, etc.
b)  Banho de Defesa
    Este banho serve de manutenção energética dos chacras, impedindo que eles se impregnem de energias nocivas em determinados rituais. Por exemplo, quando vamos realizar alguma oferenda numa cachoeira, é importante que nos “fechemos” para determinadas vibrações que podem estar abundantes num sítio energético, já que além de nós, todo o tipo de pessoa vai até estes lugares para pedidos escusos, com entregas “pesadas”. 
   Usamos, também, quando vamos conhecer um outro terreiro e não sabemos se ele é ou não idôneo, pois, infelizmente, ainda existem aqueles que usam o nome da Umbanda para comercializar a fé alheia.
    Quando vamos num sítio energético para determinados rituais com ou sem incorporação, enfim, “fechamos” os nossos chacras.
    Até mesmo para nos prevenirmos para os trabalhos com os Exús Guardiões, já que todo o tipo de problemas e situações estarão presentes na assistência.
    As ervas para estes banhos, podem ser aquelas relacionadas ao próprio Orixá regente da pessoa, ou aquelas que uma entidade receitar.
c) Banho de Energização:
    Após tomarmos um banho de descarrego, é importante que restabelecemos o equilíbrio energético, através de um banho de energização. Este banho reativa os centros energéticos e refaz o teor positivo do aura. É um banho que devemos usar quando vamos trabalhar normalmente em giras de direita, ou mesmo, após uma gira em que o ambiente ficou carregado.
Também, podemos usá-lo regularmente, independente se somos ou não médiuns.
    Um bom e simples banho : pétalas de rosas brancas ou amarelas, alfazema e alecrim.
d)Banho de Fixação
    Este banho é usado para trabalhos ritualísticos e fechados ao público, onde se prestará a trabalhos de magia, iniciação ou consagração. Este banho é realizado apenas por quem é médium e irá realizar um trabalho aprofundado, onde tomará contato mais direto com as entidades elevadas. Este banho “abre” todos os chacras e a percepção mediúnica fica aguçadíssima.
    As ervas utilizadas para este tipo de banho estão diretamente relacionadas ao Orixá regente do médium e à entidade atuante. São assim receitados apenas por um verdadeiro chefe de terreiro ou médium-magista ou pela própria entidade.

- PREPARAÇÃO DOS BANHOS:
    Em todos os banhos, onde se usam as ervas, devemos nos preocupar com alguns detalhes :
· A colheita deve ser feita em fases lunares positivas, devido a abundância de Prana;
· Ao adentrar numa mata para colher ervas ou mesmo num jardim, saudamos sempre Oxóssi e Ossaim que é responsável pelas folhas (no Candomblé é um Orixá, mas considero-o como um ser encantado, com responsabilidades e atuações limitadas);
· Antes de colhermos as ervas, toquemos levemente a terra, para que descarreguemos nossas mãos de qualquer carga negativa, que é levada para o solo;
· Não utilizar ferramentas metálicas para colher, dê preferência em usar as próprias mãos, já que o metal faz com que diminua o poder energético das ervas;
· Normalmente usamos folhas, flores, frutos, pequenos caules, cascas, sementes e raízes para os banhos, embora dificilmente usamos as raízes de uma planta, pois estaríamos matando-a;
· Colocar as ervas colhidas em sacos plásticos, já que são elementos isolantes, pois até chegarmos em casa, estaremos passando por vários ambientes;
· Lavar as ervas em água limpa e corrente;
· Os banhos ritualísticos, devem ser feitos com ervas frescas, isto é, não se demorar muito para usá-las, pois o Prana contido nelas, vai se dispersando e perde-se o efeito do banho;
· A quantidade de ervas, que irão compor o banho , são 1 ou 3 ou 5 ou 7 ervas diferentes e afins com o tipo de banho. Por exemplo, num banho de defesa, usamos três tipos de ervas (guiné, arruda e alecrim);
· Não usar aqueles banhos preparados e vendidos em casas de artigos religiosos, já que normalmente as ervas já estão secas, não se sabe a procedência nem a qualidade das ervas, nem se sabe em que lua foi colhida, além de não ter serventia alguma, é apenas sugestivo o efeito.
· Alguns banhos, são feitos com água fria e as plantas são masceradas com as próprias mãos e só depois, se for o caso, adicionar um pouco de água quente, para suportar a temperatura da água.
· Banhos feitos com água quente, devem ser feitos por meio da abafação e não fervimento da água e ervas, isto é, esquenta-se a água, até quase ferver, apague o fogo, deposite as ervas e abafe com uma tampa, mantenha esta imersão por uns 10 minutos antes de usar. Alguns dizem que a água quente não é eficiente para um banho, mas esquecem que o elemento Fogo, também faz parte dos rituais de Umbanda. A água aquecida “agita” a mistura, liberando o Prana das ervas.
· Acender uma vela para o anjo de guarda e manter-se em oração e concentração, já que se está realizando um ritual.
· Os banhos não devem ser feitos nas horas abertas do dia (06 horas, 12 horas ou meio-dia, 18 horas e 24 horas ou meia-noite), pois as horas abertas são horas “livres” onde todo o tipo de energia “corre”. Só realizamos banhos nestas horas, normalmente os descarregos com ervas, quando uma entidades.

OUTROS BANHOS: 

Além destes banhos preparados, podemos contar com outros tipos de banhos, que podem ter algum efeito, dependendo da maneira que os encaremos :
Banhos Naturais:
    São banhos que realizamos em sítios energéticos, onde as energias estão em abundância. Neste caso, não precisamos em nos preocupar em não molhar os chacras superiores (coronal e frontal), localizados na cabeça, é uma ótima chance de naturalmente tratar da “coroa”, claro que se efetuarmos em locais livres da poluição.
   Dentre eles podemos destacar :
Banhos de Mar:
    Ótimos para descarrego e para energização, principalmente sob a vibração de Yemanjá.
Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo licença para o povo do mar e para Mamãe Yemanjá. No final, podemos dar um bom mergulho de cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os corpos de sutis energias. Ideal se realizado em mar com ondas e sob o sol.
Banhos de Cachoeira:
    Com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces. A queda d’água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias, ao mesmo tempo que limpamos toda a nossa alma. Saudemos, pois Mamãe Oxum e todo povo d’água. Ideal se tomado em cachoeiras localizadas próximas de matas e sob o sol.                                                                 
Banhos de rios e lagoas:
    Tem também grandes propriedades, desde que não estejam poluídos. Saudemos Nanã Buruquê.
Banhos artificiais:
    São ótimos também para levantar o bom ânimo de qualquer ser, desde que sejam encarados de maneira respeitosa. Podem servir como descarregos, relaxantes, estimulantes, etc., embora não podemos considerá-los ritualísticos.
Alguns deles :
Banhos de chuveiros ou duchas:
    São excelentes, restituem a leveza e tranqüilizam. Se forem frios, estimulam, se quentes, relaxam. Pode-se usar, sabonetes naturais com ervas.
Banhos de banheira:

    São excelentes para o relaxamento e descarga energética. Se usarmos os sais de banho são ótimos relaxantes. Hidromassagens são tranqüilizantes e fornecem renovação para todo o corpo. Claro que este banho não devemos efetuar em locais onde o sexo corre “solto”, como motéis. O ideal é fazê-los no próprio lar.
Banhos Turcos ou de mangueira:
    São banhos realizados com um jato potente de água, normalmente frio. São estimulantes e trazem bom ânimo. A própria mangueira do quintal é ótima para este tipo de banho, que torna até uma sadia brincadeira, envolvendo adultos e crianças.
Banhos de piscinas:
    Também são ótimos banhos para relaxamento e reparo do ânimo de qualquer um. Se a água estiver quente, relaxa, se estiver fria, estimula.
    Apesar do que tudo que aqui foi escrito, vale lembrar que o assunto pode ser aprofundado em vários aspectos. Não me preocupei em receitar banhos com determinadas ervas, pois, isto deve ser feito por pais e mães no santo e entidades, já que eles têm vasta experiência em cada tipo de banho e sabem recomendar as melhores ervas, o melhor método. A intenção foi apenas demonstrar a importância que os banhos tem sobre todos nós, principalmente para aqueles que são Umbandistas e praticam estes rituais. Além de criar nas mentes daqueles que sejam adeptos da Umbanda, a consciência de que não cultuamos uma religião fetichista, mas uma religião que sabe integrar o espírito com a própria natureza e indiretamente com Deus, com os Orixás e todo o plano astral, porque é isto que eles querem de nós, que sejamos libertos das amarras da matéria e nos voltemos a Eles de maneira mais natural possível.
Qualquer crítica ou sugestão será muito bem-vinda, já que não tenho a pretensão de saber tudo, apenas me esforço para distribuir o pouco conhecimento que detenho

A função do Exu na iniciação do medium


     Muitas vezes, ele funciona como um espelho, refletindo em seu comportamento os defeitos e qualidades de seu médium.
     Não estamos falando aqui de mistificação nem animismo e sim de um comportamento em que pela convivência um exterioriza qualidades e defeitos do outro.
Apesar de Exu ter opinião própria e manifesta em linguagem simples e direta de forma que todos entendam. É ele a entidade mais próxima a nossa realidade e anseios materiais.
    Quando o médium começa a se desenvolver costuma ouvir que há a necessidade de doutrinar seu Exu.
    É natural que o médium não tenha doutrina no inicio de sua jornada espiritual e Exu exterioriza isso em seu comportamento, após boa doutrinação da entidade veremos a necessidade de doutrina também para o médium que acaba de chegar na casa.
    Durante o desenvolvimento mediúnico é ainda natural que o Exu se apresente pedindo sua oferenda, pois sua força é potencializadora e vitalizadora da mediunidade.
    Este mesmo médium que está iniciando na Umbanda encontra todo um universo novo aos seus olhos e Exu costuma ser algo intrigante e fascinante ao mesmo tempo; quando não uma entidade,força, que assusta um pouco os que não o conhecem.
    A questão é: Enquanto o médium estiver preocupado com a doutrina de “seu” Exu estará também doutrinando-se, subconscientemente!
    Devemos, sim, estar atentos quando nos deparamos com entidades de esquerda sem doutrina, muitas vezes estão chamando nossa atenção a seu médium para que tomemos uma atitude doutrinária em relação a ambos.
    Tudo isso é bem diferente de um obsessor ou quiumba, trazido por transporte, que normalmente tem comportamento rude e agressivo. Falamos aqui do Exu de lei que acompanha o médium como entidade de trabalho na esquerda.
    Não devemos subestimar Exu, achando que é entidade sem luz desprovida de evolução,observando apenas um aspecto externo e superficial, pois quando vamos com a farinha ele já voltou com a farofa, devemos sim ficar atentos com o que nos dizem nas entrelinhas ou o que querem nos passar, quando não podem ou não se sentem a vontade para revelar.
    Quanto ao que pode revelar, pergunte a ele sobre seu médium e o comportamento do mesmo e verá que Exu é o primeiro a apontar os defeitos de seu “cavalo” e isto está ainda dentro da qualidade especular de Exu.
    No desenvolvimento mediúnico é ele um elemento de muita importância, pois dá força e potencializa as faculdades mediúnicas, não é difícil encontrarmos Exu pedindo para ser oferendado logo no inicio da vida mediúnica.
    Em uma casa de luz, em um terreiro de Umbanda de fato, Exu não aceitará trabalhos de ordem negativa a favor de futilidades ou egoísmos. Veremos Exu trabalhando com seriedade e em sintonia com as entidades da direita, ou seja não virá em terra para contrariar todo um trabalho de doutrina realizado por caboclos e pretos velhos. Encontraremos até Exus dando consultas, limpando e descarregando consulentes, fazendo desobsessão e outras coisas mais dentro do mesmo objetivo e até dando bons conselhos aos que a ele procuram.
    Por tudo isso somos gratos a Exu e Pomba Gira por trabalharem conosco a favor da luz, e afirmamos muito do que se fala de Exu e Pomba-Gira ligado a magia negativa, nós desconhecemos, sabemos que muitos tentam se passar por Exu, mas aí já não é mais Umbanda.
    Umbanda acima de tudo é Amor e Caridade, Exu não deve vir em terra para dar o contra no trabalho de direita

Porque os bons morrem primeiro??

     

     Nem é verdade, nem é justo. Geralmente vemos nosso ente querido como o melhor do mundo, sem defeito algum e quando ele parte, achamos que foi antes do tempo. Se os bons morressem primeiro, a Terra estaria pior do que se encontra.      Perguntemos: “Chico Xavier, Madre Tereza, Irmã Dulce não eram bons? Pois morreram com idade avançada.”
    Quando uma pessoa malvada escapa de um perigo, frequentemente dizemos: “SE FOSSE UM HOMEM DE BEM, TERIA MORRIDO.” Pois bem, ao dizermos isso, visualizando o lado espiritual, estamos com a verdade, porque, efetivamente Deus concede muitas vezes, a um Espírito malvado, uma prova mais longa. E poderá conceder a um Espírito bom, em recompensa por mérito, uma prova mais curta. Mas quando empregamos esta frase visualizando o lado material, não duvidemos de que estamos cometendo uma blasfêmia.
     Se morrer um homem de bem, vizinho de um malvado, logo dizemos: “SERIA BEM MELHOR SE TIVESSE MORRIDO AQUELE.” Cometemos então um grande erro, porque aquele que parte talvez tenha terminado a sua tarefa, e o que ficou talvez nem a tenha começado. Por que, então, queremos que o mau não inicie sua tarefa ou termine antes da hora e que o outro continue preso à luta terrena? É como se desejássemos que o prisioneiro que cumpriu sua pena continue preso.
     Quando a morte vem ceifar em nossas famílias, os jovens em lugar dos velhos, dizemos freqüentemente: “DEUS NÃO É JUSTO, POIS SACRIFICA O QUE ESTÁ FORTE E COM FUTURO PELA FRENTE, PARA CONSERVAR OS QUE JÁ VIVERAM LONGOS ANOS, CARREGADOS DE DECEPÇÕES; LEVA OS QUE SÃO ÚTEIS E DEIXA OS QUE NÃO SERVEM PARA NADA MAIS; FERE UM CORAÇÃO DE MÃE, PRIVANDO-O DA INOCENTE CRIATURA QUE ERA TODA A SUA ALEGRIA.” Precisamos compreender que o bem está muitas vezes onde pensamos ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela nossa medida?      Como podemos pensar que o Senhor dos mundos queira, por um simples capricho, nos aplicar penas cruéis? Nada se faz sem uma simples finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se sondássemos melhor as dores que nos atingem, sempre encontraríamos nelas a razão divina, razão regeneradora, e nossos miseráveis interesses ficariam em segundo plano. É preferível, uma encarnação de 20 anos, a ver um jovem em desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura, quando não é antecipada por vícios e tantos outros abusos, é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, para preservá-lo das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo, ou continuar arrastando, à perdição.      Dizemos também que é uma terrível desgraça, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças queremos falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Temos sempre essa visão estreita, que não conseguimos elevar acima da matéria! Sabemos, por acaso, qual teria sido o futuro dessa vida jovem tão cheia de esperanças, segundo nosso entendimento? Quem poderia nos dizer que ela não poderia estar carregada de amarguras? Desprezamos as esperanças na vida futura, preferindo as esperanças da vida passageira que arrastamos na Terra?      Será que vale mais um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados? Alegremo-nos em vez de chorar, quando Deus retirar um de Seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique para sofrer conosco? Ah! Essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que vêem na morte a separação eterna. Mas nós, espíritas, sabemos que a alma vive melhor quando livre de seu envoltório corporal. Mães saibam que seus filhos bem-amados estão perto de vocês, sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos lhe envolvem, seus pensamentos lhe protegem, sua lembrança os inebriam de contentamento; mas também as suas dores sem razão os afligem, porque revelam uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.
     Habituemos a não censurar o que não podemos compreender, e crer que Deus é justo em todas as coisas. Freqüentemente, o que nos parece um mal é um bem.      Mas as nossas faculdades são tão limitadas, que o conjunto do grande todo escapa aos nossos sentidos obtusos. Esforcemos por superar, pelo pensamento, a nossa estreita esfera, e à medida que nos elevarmos, a importância da vida terrena diminuirá aos nossos olhos. Porque, então, ela nos aparecerá como um simples incidente, na infinita duração da nossa existência espiritual, a única verdadeira existência. (Sansão e Fénelon, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap.V, item 21/22)